Apresentação

A responsabilidade é, em primeiro lugar, pessoal; mas há também uma responsabilidade que todos nós partilhamos, como cidadãos de uma mesma cidade e de uma mesma nação.

(Benoit XVI, Rome 2008)

Após o fim das ditaduras militares e dos regimes totalitários que dominaram uma parte da Europa e da América Latina, o tempo da cidadania política estende-se agora sobre o Ocidente. Os direitos do homem, os direitos políticos e os direitos dos cidadãos constituem hoje em dia um referencial comum de convivência, apesar de subsistir uma grande disparidade entre os Estados quanto à sua prática efectiva.

Todavia, a pobreza crescente de segmentos inteiros de população nos Estados mais desenvolvidos, as desigualdades subsistentes nos países em desenvolvimento e, sobretudo, nos países do Terceiro mundo, suscitam a interrogação sobre a possibilidade de os direitos políticos e de os direitos do homem, mesmo quando respeitados, serem suficientes para promover uma sociedade mais justa e mais humana. Ainda que a esperança se inspire em ideais evangélicos, há sempre uma dimensão de cidadania social a considerar.

Mas o que é, na sua essência, a cidadania social, e que laços estabelece ela com a cidadania cívica ? Será que uma é simplesmente o prolongamento da outra ou será a cidadania social um novo paradigma, a necessitar de uma nova teorização ética e educativa ? E quais os novos desafios educativos que daqui decorrem ?

Dar resposta a estas questões é o objectivo do colóquio que a ACISE, em parceria com a Universidade Católica Portuguesa, organiza no Porto em 16 e 17 de Abril de 2009.

Estão previstos quatro painéis. O primeiro, educação, justiça e paz social, visa estabelecer uma ponte com a cidadania política. O segundo, educação, comunidade e cidade, introduz as noções de ‘cidade’ e de ‘comunidade’ no centro da nossa problemática, numa época onde as reivindicações comunitárias e religiosas estão no centro da cidadania cívica. O terceiro, educação, solidariedade e coesão social, examina as novas formas de solidariedade e a necessidade moral e cívica de manter a coesão social. O quarto painel apresentará algumas experiências de intervenção comunitária, que não têm a pretensão de serem exemplares mas simplesmente inspirar o debate sobre modalidades possíveis de cidadania social.