Escola das Artes recebe concerto-performance e exposição de Jonathan Uliel Saldanha

No dia 9 de abril, a Escola das Artes da Católica no Porto abriu as suas portas a um concerto-performance intitulado “Scotoma Cintilante”, do artista Jonathan Uliel Saldanha com o coro Ver pela Arte. Uma performance vocal, que não deixou ninguém indiferente, construída a partir de uma partitura gráfica tridimensional, uma escultura, interpretada por um coro misto de cegos.

Dividido em dois espaços - uma zona háptica onde a performance se desenrolou e uma zona ressonante onde a performance foi difundida - o auditório Ilídio Pinho recebeu uma performance que parte de uma mundivisão onde a relação tátil com a matéria inanimada é a fonte primordial da construção do som. Neste sentido, este concerto-performance inscreve-se entre matéria e anima, pré-linguagem e superfície, operando a interceção de quatro eixos distintos: o aparelho vocal humano; a mediação de uma linguagem háptica (relativa ao tacto); a refração como mecanismo tático de mutação e “re-materialização” do tempo; e a camuflagem da palavra pela voz. Entre a dismorfia, a refração vocal e uma Via Sacra. De referir que foi na superfície da máquina-escultura que o coro de cegos Ver pela Arte leu as instruções que operavam a mutação das suas vozes no tempo.

Depois do concerto-performance, foi o momento da inauguração da exposição “Disformia”, na Sala de Exposições da Escola das Artes. Um trabalho de Jonathan Uliel Saldanha que traduz os três meses da residência artística na

Escola das Artes da Católica no Porto.

Jonathan Uliel Saldanha é um construtor sonoro e cénico, que já expôs trabalhos como OXIDATION MACHINE e O POÇO, em espaços como o Palais de Tóquio, em Paris, a Casa de Serralves ou mesmo o Teatro Municipal Rivoli, no Porto.

O concerto-performance e a inauguração da exposição – que integrou as celebrações dos 40 anos da Universidade Católica Portuguesa no Porto e, ainda, a programação da bienal BoCA (Biennial of Contemporary Arts) – contaram com a presença da Reitora de Universidade Católica Portuguesa, Isabel Capeloa Gil.

A exposição estará patente até 7 de junho. Mais informações disponíveis aqui.

 

Abril 2019