"O dia em que a guerra começou"

Católica no Porto
"O dia em que a guerra começou"
Quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2022 in Diário de Notícias Online

Isabel Capeloa Gil, Reitora da Universidade Católica Portuguesa.
22-02-2022 não é o feliz dia dos 2, mas o dia em que a guerra começou. Para a geração que cresceu num continente europeu em tempo de paz, a guerra constitui um evento distante no tempo, na geografia, na etnia. A guerra é o evento distante que afeta os outros. Os que não são como nós. Os de raça diferente, religião diversa, costumes distantes e exóticos. Os que são belicosos e, portanto, pouco civilizados. A guerra pertence aos bárbaros.
Num mundo hipersofisticado em que a realidade parece ser um efeito secundário dos artifícios do metaverso, a Europa que se autodestruiu há quase cem anos, habituou-se ao seu cordão sanitário. A sua cultura e economia do bem-estar, o respeito pelo Estado de direito, pela democracia e pela dignidade das pessoas deram-lhe um sentido - falso - de inviolabilidade. A Europa quer ser o espaço do acolhimento dos exilados, dos refugiados, o continente confiante na sua superioridade moral. Aprendendo com os erros do passado conflitual, queremos ser plataforma de contacto e abertura. Mas não o conseguimos. Habituámo-nos, com sobranceria, a ver a guerra na televisão, no cinema. A distanciá-la da vivência do nosso seguro e feliz quotidiano. A roçá-la quando interpelados pelo olhar ferido do exilado, de quem imediatamente nos afastamos. Somos, afinal, hipócritas.

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