"Erradicação da pobreza: qual o papel das universidades?"

Católica no Porto
"Erradicação da pobreza: qual o papel das universidades?"
Quinta-feira, 17 de Outubro de 2024 in Público online

Artigo de Opinião por Isabel Braga da Cruz, Pró-Reitora da Universidade Católica Portuguesa

O ensino superior pode intervir, não só por ser um centro de geração de conhecimento e como tal de influência, mas também por ter a seu cargo a formação, não só de jovens, como ao longo da vida.

Em 2015, a ONU apresentou a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, com o objetivo de promover um desenvolvimento global sustentável, assente em três pilares principais: ambiental, social e económico. Definindo 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), a Agenda 2030 define prioridades e metas a atingir, criando alianças comprometidas entre nações e instituições públicas e privadas de diferente natureza. O ODS número 1, tem como meta erradicar a pobreza, caracterizada não só pela falta de rendimentos e recursos, mas por outras dimensões ligadas à inclusão e dignidade humana, como sejam a privação de acesso à educação, à saúde, ao saneamento e água potável e à segurança alimentar. Erradicar a pobreza, representa um dos maiores desafios da humanidade e passa por construir sociedades mais justas e inclusivas, modos de produção mais sustentáveis e uma melhor distribuição de riqueza.

Estes são desafios complexos que só podem ser superados através de ações multissectoriais, onde das ciências sociais e humanas às ciências exatas, ou do sector de produção primária ao ensino superior, todos podem contribuir. Neste domínio o ensino superior pode intervir a diferentes níveis, não só por ser frequentemente um centro de geração de conhecimento e como tal de influência, mas também por ter a seu cargo a formação, não só de jovens, como ao longo da vida. Portanto, para erradicar a pobreza, as Instituições de Ensino Superior (IES) têm a capacidade de contribuir a vários níveis:

Educação e desenvolvimento de competências: o primeiro passo para uma transformação efetiva consiste na sensibilização daqueles que serão os decisores e futuros líderes. Mais do que formar profissionais competentes, é fundamental formar cidadãos conscientes e comprometidos, que defendam políticas em prol das comunidades marginalizadas. Programas de voluntariado e atividades de sensibilização são alguns exemplos importantes nesse processo.

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