"Potencialidades e desafios da aplicação IA à Conservação e Restauro do Património Cultural"

Artes
"Potencialidades e desafios da aplicação IA à Conservação e Restauro do Património Cultural"
Sexta-feira, 5 de Setembro de 2025 in Observador Online

Artigo de Opinião por Eduarda Vieira, Docente da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa no Porto e investigadora do CITAR.

Os desenvolvimentos da Inteligência Artificial (IA) podem abrir possibilidades de aplicação à conservação e restauro, facilitar processos operativos e de tomada de decisão aos profissionais.

A conservação do património cultural é um requisito das sociedades contemporâneas, que não se querem ver privadas da sua memória e identidade, porque lhes reconhecem uma função de referenciais coletivos e de consolidação dos laços sociais. Representando uma atitude cultural com fortes bases científicas e técnicas, a conservação está intrinsecamente dependente do conhecimento de um conjunto de ciências humanas e exatas, que lhe permitem uma compreensão holística dos processos criativos, materiais e contextos históricos e sociais que se associam aos bens culturais.

Os desenvolvimentos da Inteligência Artificial (IA) podem abrir possibilidades de aplicação à conservação e restauro, facilitar processos operativos e de tomada de decisão aos profissionais. Sem querer cair no domínio da futurologia, campos como o da documentação e mapeamento, análise e diagnóstico, previsão e monitorização, reconstrução digital e otimização de processos restauro, poderão vir a beneficiar do seu uso. Se pensarmos na grande quantidade de dados visuais que os sistemas computacionais geridos por algoritmos podem processar, perceberemos a sua utilidade para a documentação; no campo do diagnóstico; também o apoio à tomada de decisão poderá facilitar e tornar mais rápido o reconhecimento de padrões de degradação, num ver para além da superfície, e aqui se conjugada com as técnicas analíticas já usadas em laboratório, poderá torná-las de uso mais acessível e corrente. Isto seria um enorme contributo para consolidar ainda mais a abordagem científica ao restauro, mas que desta forma se poderá vulgarizar no mundo empresarial. O diagnóstico baseado em exames deixaria assim de ser uma exceção aplicada apenas quando há obras de grande valor cultural ou empreitadas subsidiadas por fundos europeus e das quais Portugal tem extrema dependência.

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