Summer School on Art & Cinema: uma semana para reflectir sobre colonialismo e sobrevivência

Artes
Summer School on Art & Cinema: uma semana para reflectir sobre colonialismo e sobrevivência
Domingo, 4 de Julho de 2021 in Público Online

Entre os dias 5 e 9 de Julho, a Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa vai estudar o colonialismo, o racismo sistémico, o silenciamento e a resistência. Organizada em parceria com a instituição alemã Haus der Kulturen der Welt, a terceira edição da Summer School on Art & Cinema conta com uma série de iniciativas abertas ao público e levará filmes, artistas, palestras e uma exposição a diferentes espaços culturais do Porto - o Museu de Serralves, a sala de exposições da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, o Cinema Trindade, o Cinema Passos Manuel e o Coliseu Porto Ageas.

O programa, que tem a curadoria de Nuno Crespo, Daniel Ribas e Filipa César, pretende lançar um olhar sobre o quotidiano de comunidades marginalizadas e sobre a discriminação de que são alvo, bem como apontar para os seus mecanismos de sobrevivência e os "gestos de empoderamento" que nelas vão surgindo.

Nuno Crespo, director da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, conta ao PÚBLICO que a Summer School on Art & Cinema foi pensada para cumprir "uma dupla função": assume-se como um curso intensivo de novas práticas cinematográficas, que oferece aos participantes "a possibilidade de dialogarem com uma série de convidados ligados às áreas do cinema e das artes visuais", e, ao mesmo tempo, a "ambição de construir um projecto formativo aberto à cidade e à comunidade na qual se insere" levou o responsável a associar a esta oferta mais restrita um "programa público de acesso livre", que arranca às 20h de segunda-feira, no Museu de Serralves, com a exibição de Day in the Life, interventiva curta-metragem do Karrabing Film Collective.

"O trabalho dos Karrabing reflecte as condições de vida nomádicas e precárias da comunidade aborígene australiana", com os terrenos que ocupam "quase sempre a serem-lhes retirados pelas autoridades", diz Nuno Crespo. "O colectivo usa a arte para que as suas denúncias consigam sair da esfera da sua própria cultura.

Ao mesmo tempo, o cinema surge aqui como uma forma de registo, de fazer sobreviver uma determinada forma de vida." Quem faz parte do Karrabing Film Collective é Elizabeth Povinelli, antropóloga e realizadora de 59 anos que estará no Porto para a Summer School e cujo trabalho, sugere Daniel Ribas, "mostra que, se olharmos para a História a partir do ângulo dos povos que foram colonizados e silenciados, iremos abrir uma nova História". E, "abrindo uma nova História" cria "um possível novo futuro", assegura este curador.

"A reescrita da História é uma das nossas preocupações. Aliás, era para ter sido esse o tema da Summer School no ano passado, mas, com a pandemia, acabámos por não a fazer", acrescenta Nuno Crespo. "Quando dizemos reescrita da História, não estamos a falar em apagá-la. O que queremos fazer é repensá-la a partir da inclusão de novos sujeitos, de novas falas", explica o comissário e crítico de artes plásticas do PÚBLICO.

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