"Terá de ser um Almirante a fechar Portugal para ´balanço´?"

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"Terá de ser um Almirante a fechar Portugal para ´balanço´?"
Terça-feira, 11 de Fevereiro de 2025 in Jornal Económico online

Artigo de Opinião por Ana Madsen, Professora Auxiliar Convidada, Católica Porto Business School.
Em 1997, Sousa Franco, ministro das Finanças de António Guterres, chegou à arrepiante constatação: "O Estado não sabe o que tem, quanto tem, nem quanto deve".

Comecei a minha vida profissional como consultora na Deloitte e, na primeira semana, fui enviada para um cliente (a Opel) com a seguinte missão: contar carros. Durante semanas registei, num documento Excel do meu PC, a matrícula, o modelo, a cor e a cilindrada de todos os carros estacionados no parque de estacionamento da Opel. Logo ali tive oportunidade de perceber um dos fundamentos da gestão: como pudemos gerir seja o que for se não sabemos o que temos?

No longínquo ano de 1997, Sousa Franco, ministro das Finanças de António Guterres, chegou à arrepiante constatação: “O Estado não sabe o que tem, quanto tem, nem quanto deve. Estamos em 2025 e continuamos arrepiados.

Embora exista em Portugal uma Direção Geral do Património, não existe um inventário atualizado dos imóveis e demais recursos propriedade do Estado (nem sequer se conhece um inventário da frota automóvel). Os agentes do Estado entretêm-se a discutir o sexo dos anjos, a falar de malas no aeroporto, dos desvios no FCP (que são casos de polícia) e assim conseguem habilmente desviar-se das suas responsabilidades. Eu continuo à espera do dia em que alguém decida que chegou a hora de inventariar e valorizar o património do Estado! Dizem que os portugueses são de brandos costumes, mas isto já é abuso!

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