"Uma Visão Otimista-Cética sobre Programas D.E.I. , Cinco Reflexões"

Business School
"Uma Visão Otimista-Cética sobre Programas D.E.I. , Cinco Reflexões"
Sábado, 1 de Março de 2025 in Líder Online

Artigo de opinião por Arménio Rego, Docente da Católica Porto Business School.

1. Há anos que “diversidade” (sozinha ou associada com equidade e inclusão, ou seja: DEI) virou palavra de moda. Tem sido instrumentalizada para veicular uma narrativa destinada a atrair e reter “talento”, gerar boa reputação junto dos clientes e outros stakeholders, e edificar uma marca, digamos, marcante. Não me interpretem mal.

Muitas organizações e suas lideranças são genuinamente empenhadas em programas DEI. Mas não posso deixar de franzir o sobrolho perante empresas que, diante da transformação política nos EUA, decidiram arrepiar caminho nas políticas DEI. A Meta/Facebook, que durante anos alegou tratar os programas DEI como prioridade, acaba de suspendê-los, fazendo companhia a empresas como a McDonalds e a Walmart. Páginas web outrora usadas para publicar iniciativas DEI estão agora vazias. Maxine Williams, a executiva da Meta que liderava esses processos, tem agora na função: acessibilidade e engagement.

Zuckerberg alega que o mundo empresarial tem sido “castrado” por ter ido demasiado longe com a “energia feminina” e apela a mais “energia masculina”. Segundo o The New York Times, o fundador da Facebook terá aproveitado uma reunião com conselheiros de Trump para acusar Sheryl Sandberg, a ex-COO da empresa, por algumas iniciativas inclusivas. Alguns empregados disseram ao jornal The Guardian que se interrogavam sobre o que ocorreria em 2029 quando novo presidente dos EUA for eleito. Suspeito que a nova moda acabará por pegar em terras lusas.

2. O meu ceticismo resulta, também, da escolha seletiva das dimensões sobre as quais as políticas de diversidade e inclusão assentam. Frequentemente, em Portugal, essas dimensões são o género e a idade – mas raramente vejo uma alusão explícita à necessidade de incluir os imigrantes, os pobres, e os mais desfavorecidos. Essas não são dimensões da moda. Mas as discriminações contra essas pessoas são gritantes.

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