Curso na Católica no Porto reflete sobre a crise atual do cristianismo e os caminhos futuros da Igreja

O campus do Porto da Universidade Católica acolheu o curso “A crise atual do cristianismo e a forma futura da Igreja”, orientado pelo Pe. José Frazão, SJ. A iniciativa, que decorreu nos dias 24 e 25 de fevereiro, foi promovida em parceria pela Escola das Artes e UDIP – Unidade de Desenvolvimento Integral da Pessoa com a Brotéria.

O Pe. José Frazão propôs uma leitura aprofundada da crise atual do cristianismo, entendida como o fim de uma era ainda marcada por traços da forma gregoriana-tridentina e pela sua resistência à modernidade. Ao mesmo tempo, destacou os sinais frágeis, mas promissores que emergem do Concílio Vaticano II, desafiando os participantes a discernir as direções pelas quais o cristianismo poderá evoluir para expressar, de forma renovada, a força do Evangelho no mundo contemporâneo.

Ao longo das sessões, o percurso formativo concentrou-se especialmente nas categorias de força, forma e estilo, convidando a pensar a Igreja como realidade em transformação e a refletir sobre novas linguagens, práticas e modos de presença que possam responder às exigências do nosso tempo. Precisamos de novas linguagens, espaços e práticas que tornem o Evangelho realmente habitável: linguagens mais relacionais do que doutrinais, espaços mais próximos da vida real das pessoas, práticas que nasçam do encontro e não apenas da repetição do que sempre fizemos.

Para Carmo Themudo, Coordenadora da UDIP, este curso “fez‑me perceber que a crise do cristianismo que hoje atravessamos não é apenas um problema a resolver, mas uma oportunidade para reencontrar o essencial do Evangelho. As questões apresentadas - sobre a forma como pensamos, celebramos e vivemos o cristianismo - ajudaram-me a reconhecer que muitas das nossas práticas já não dialogam com a sensibilidade deste tempo. Senti que hoje somos chamados a uma maior verdade e leveza na forma de estarmos na Igreja. Ficam comigo três ideias: a simplicidade, que nos devolve liberdade; a proximidade, que nos coloca junto das feridas do mundo; e o discernimento, que nos impede de ficar presos ao passado ou às nostalgias. Este curso mostrou‑me que a forma futura da Igreja não está pré-determinada, mas depende também da coragem de cada um de nós para viver um estilo que traduza a força discreta e transformadora do Evangelho.”

Com a participação de docentes, estudantes, colaboradores e membros da comunidade alargada da Universidade, o curso promoveu um espaço de reflexão, diálogo e questionamento crítico sobre o futuro da fé cristã numa sociedade plural e em mudança acelerada.

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06-03-2026