Manuel Jorge: “A licenciatura na Católica combina exigência, método e proximidade entre professores e alunos.”
Manuel Jorge é diretor de Mergers and Acquisitions na Natixis Partners Iberia, a equipa de fusões e aquisições da Natixis, integrada no grupo BPCE. Licenciado em Gestão pela Católica Porto Business School, tem desenvolvido uma carreira internacional, entre Portugal, Espanha e experiências noutros mercados. Vê o seu grande desafio profissional como um “processo contínuo” de aprendizagem, feito “passo a passo”. Nesta entrevista, fala-nos sobre o seu percurso, a importância das bases teóricas e das experiências internacionais e sobre as competências essenciais para quem ambiciona uma carreira em finanças e consultoria.
É diretor da área de fusões e de aquisições da Natixis Partners Iberia. Quais são as suas principais responsabilidades?
A Natixis Partners é a equipa de M&A da Natixis, um banco de investimento com presença global, integrado no grupo BPCE. Nesta área, fazemos essencialmente assessoria em operações de compra e venda de empresas. No meu caso, as principais responsabilidades passam por identificar e desenvolver oportunidades de M&A na Península Ibérica, tanto em situações de sell-side como de buy-side, com especial foco em Portugal, e acompanhar os clientes ao longo de todo o processo, desde a análise do target e o desenvolvimento do equity story, até à estruturação e negociação das transações e ao levantamento de capital.
“Olho para o desafio como um processo contínuo: ir passo a passo, tentando fazer um pouco mais e um pouco melhor do que no momento anterior."
Até hoje, qual foi o seu maior desafio profissional?
Se excluirmos os trabalhos da cadeira de Recursos Humanos na Católica (risos), é-me difícil destacar algum projeto em específico, porque olho para o desafio na minha carreira profissional como um processo contínuo: ir passo a passo, tentando fazer um pouco mais e um pouco melhor do que no momento anterior.
É licenciado em Gestão pela Católica Porto Business School. O que é que destaca da sua experiência enquanto aluno?
A experiência foi muito positiva, tanto a nível académico como pessoal. Coincidiu com uma mudança de cidade e tive a sorte de conhecer colegas extraordinários, muitos dos quais seguem hoje percursos pessoais e profissionais muito interessantes e sólidos, em áreas bastante diversas. Embora a distância faça com que nem sempre nos vejamos com a frequência que gostaria, mantemos contacto e procuramos encontrar-nos sempre que possível. Do ponto de vista académico, a licenciatura na Católica deu-me uma base muito rigorosa e estruturada, combinando exigência, método e uma relação próxima entre alunos e professores. Esse equilíbrio entre qualidade académica e proximidade foi, para mim, um dos grandes pontos fortes da experiência na Católica e algo que valorizei bastante.
O que é que distingue o ensino da Católica e de que forma é que isso acaba por moldar os percursos profissionais?
O nível de preparação da Católica é muito sólido e não fica atrás de outras universidades internacionais. As bases teóricas são fortes e isso nota-se claramente nos primeiros anos de trabalho, quando se é mais júnior. Ter boas bases ajuda a estruturar melhor o pensamento e a evoluir mais depressa. Além disso, a universidade também é um bom treino para competências que depois são essenciais na vida profissional: trabalhar em equipa, lidar com diferentes personalidades e aprender a tirar o melhor de cada uma. A dinâmica é muito parecida com o que se vive mais tarde na vida profissional. Finalmente, estar rodeado de colegas muito bons obriga-nos a puxar por nós próprios e isso ensinou-me algo que continua a ser fundamental no meu dia a dia: ser esforçado, dedicado e fazer as coisas com atenção e cuidado.
“É essencial ser organizado, metódico, saber gerir bem as prioridades e ter grande disponibilidade."
Que competências considera essenciais para quem quer trabalhar em M&A?
A competência mais importante é a capacidade de trabalho e a motivação para dedicar muitas horas ao que se faz. O trabalho é exigente, tem prazos apertados e, sobretudo nos primeiros anos, passa por investir muitas horas. Ao mesmo tempo, é um trabalho interessante: permite conhecer diferentes negócios, trabalhar com pessoas com perfis muito variados e é bastante dinâmico - dificilmente nos aborrecemos. É essencial ser organizado, metódico, saber gerir bem as prioridades e ter grande disponibilidade. É duro, mas para quem gosta, pode ser bastante divertido.
O seu percurso é marcado, também, pela componente internacional, maioritariamente em Espanha e Portugal e breves passagens pelo Reino Unido e pelo Brasil. Que conselhos daria a quem deseja construir uma carreira internacional?
O principal conselho que eu daria seria procurar ter experiências internacionais o mais cedo possível. As áreas de finanças e consultoria são hoje bastante globalizadas. Ter uma carreira internacional é positivo não só a nível pessoal, mas também profissional, porque abre um leque muito maior de oportunidades. Para quem está na universidade, fazer summer internships, estudar fora ou ter qualquer experiência internacional ajuda muito a dar esse passo. Mesmo para quem, por qualquer motivo, queira regressar ou ficar em Portugal no futuro, considero que viver algum tempo fora é uma experiência muito importante e difícil de substituir. Permite ver o país de outra forma, voltar com outra atitude e trazer perspetivas diferentes.
De que modo a experiência em diferentes mercados moldou a sua perspetiva e a sua forma de atuar profissionalmente?
Julgo que não é só trabalhar em diferentes países; trabalhar com pessoas distintas, mesmo dentro do mesmo país, expõe-nos a realidades muito diferentes. Ainda que o contexto possa ser semelhante, a forma como as pessoas pensam, decidem e trabalham varia bastante. Para mim, o mais importante tem sido tentar compreender essas dinâmicas - sejam culturais, profissionais ou humanas - e ajustar a forma de atuar a cada contexto. Na minha opinião, a mesma abordagem nem sempre resulta da mesma forma em situações diferentes. Por isso, parece-me importante saber adaptar-se e ser capaz de “ler” o contexto, o que ajuda a trabalhar melhor com pessoas diferentes e a atingir os objetivos da forma mais eficaz.
