Vasco Teixeira Duarte: “A Missão País confirma-nos que fomos feitos para coisas grandes.”
Vasco Teixeira Duarte é finalista da licenciatura em Direito da Escola do Porto Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa. Natural de Lisboa, escolheu a Católica pela exigência e qualidade reconhecida do curso. Interessado na dimensão prática do Direito e no seu papel ao serviço das pessoas, realizou estágios na TELLES – Sociedade de Advogados e na Pacheco de Amorim Advogados e envolveu-se ativamente em iniciativas de voluntariado como a Missão País: “A Missão País confirma-nos que fomos feitos para coisas grandes”.
Porquê estudar Direito?
O Direito abre portas para inúmeras áreas. Já no 12.º ano fui aprofundando aquilo que seria o curso de Direito e fui-me apaixonando pelo papel essencial e decisivo que o Direito tem na sociedade. No momento da decisão pela faculdade, a Universidade Católica era uma escolha que já sabia ser uma garantia de qualidade. A minha mãe estudou Economia na Católica, tal como um dos meus irmãos e também alguns amigos. Sabia de antemão da qualidade, exigência e rigor do ensino, bem como o quão conceituado era o curso no mercado. E estes anos confirmaram-me isso mesmo!
O que mais destaca da sua experiência na Católica?
A excelência académica e o trato humanista dos mais variados serviços, bem como a competência, a formação e a disponibilidade dos professores da Faculdade de Direito.
Sendo natural de Lisboa e tendo vindo estudar para o Porto, como foi a experiência de viver e estudar longe de casa?
Nunca imaginei que viria parar à cidade Invicta, mas a verdade é que estudar fora era algo em que, desde pequeno, pensava. Estudar fora da nossa zona de residência é ter a oportunidade de conhecer e viver novas experiências. E penso na enorme quantidade de pessoas que não teria conhecido, nas experiências e projetos em que não teria participado e nesta bela cidade Invicta que não teria conhecido!
“O que mais me fascinava era a utilidade prática do Direito, o Direito ao serviço das Pessoas, com a sua função ordenadora e conformadora da Sociedade.”
Durante a licenciatura, fez um estágio curricular na Pacheco de Amorim Advogados. Como foi essa experiência?
O estágio curricular foi muitíssimo positivo. Trabalhei no escritório numa altura de grande intensidade e trabalho e, desde o primeiro dia, notei como a equipa confiava em mim e nas minhas competências para as tarefas que, nas mais diversas áreas, me foram delegando. Foi nessa altura que pude verificar, por exemplo, quão diferente é estudar e formar-me numa área e, depois, a sua aplicação no mundo do trabalho, mas também como o curso de Direito na Católica nos dá as bases e as ferramentas necessárias para, devidamente acompanhados, sermos bem-sucedidos. Na relação com todos os advogados da Pacheco de Amorim havia um princípio transversal bem assente: aprende-se trabalhando e aprende-se perguntando.
A passagem pela prática confirmou ou alterou as suas expectativas quanto ao exercício da advocacia?
Desde o início do curso, o que mais me fascinava era a utilidade prática do Direito, o Direito ao serviço das Pessoas, o Direito com a sua função ordenadora e conformadora da Sociedade. Confesso que nunca fui um apaixonado pelo Direito dito puro, pelo doutrinal, o meramente teórico, mas sim, e naturalmente tendo como base a teoria, pelo Direito que dá as ferramentas, os meios, os conhecimentos para que nós, futuros advogados, possamos não só arranjar soluções para os problemas dos clientes, mas também para que os seus interesses sejam devidamente protegidos. A passagem pela prática, primeiro no verão, na TELLES, e logo a seguir na Pacheco de Amorim, no estágio curricular, confirmou-me precisamente isto. Além deste aspeto, também a questão da ética foi algo que despertou a minha atenção. Uma boa formação é essencial para que possamos distinguir aquilo que é aproveitar lacunas da lei e o que é ser eticamente incorreto, uma linha ténue que, se não somos devidamente formados, é facilmente ultrapassada.
“Não fomos feitos para estar fechados sobre nós mesmos. Naquela semana deixo de pensar no “eu, eu, eu, eu”, e sou obrigado a levantar o meu olhar para o Outro”
Tem participado em inúmeras iniciativas de voluntariado, como é exemplo a Missão País. Que contributo têm tido no seu percurso pessoal e académico?
O voluntariado confirma sobretudo aquilo que está na natureza e no coração do Homem. O maior sonho de qualquer pessoa, com ou sem fé, é ser feliz, e essa felicidade passa necessariamente pelo desejo de amar e ser amado. E isto, por mais piroso e bonito que possa parecer, é muito mais sério e real do que possamos imaginar.
A Missão País confirma-nos que fomos feitos para coisas grandes. Ao longo da semana, à medida que o cansaço vai aumentando, aumenta também a alegria e, pese embora todos os incómodos, a felicidade de cada missionário levanta uma questão séria: de onde vem tanta alegria? Uma alegria que o mundo lá fora não compreende?
E a resposta é invariavelmente a mesma: não fomos feitos para estar fechados sobre nós mesmos. Naquela semana deixo de pensar no “eu, eu, eu, eu” e nas “minhas cruzinhas”, e na “mesada que não recebo”, e no “autocarro que não apanhei”, e no “penálti que o Samu falhou”, e sou obrigado a levantar o olhar do meu umbigo para olhar para um Outro. Um outro com um rosto, um nome e uma história de vida, tantas vezes difícil. As experiências de voluntariado levam-me a recordar a frase de São Josemaria: “O que é preciso para conseguir a felicidade não é uma vida cómoda, mas um coração enamorado.” Este é o grande contributo que a Missão País tem. O missionário entende que aquilo que viveu naquela semana intensa e transformadora pode vivê-lo precisamente no meio das obrigações diárias que tem, no ambiente que lhe é próprio e onde está inserido, e onde é chamado a dar-se, inteiramente, ao serviço da sociedade e do mundo e, sobretudo, de Deus.
Para além do voluntariado, esteve envolvido em várias iniciativas extracurriculares. O que o motivou a viver a universidade para além da sala de aula?
O não ter sabido dizer que não! (risos). A etapa universitária será tão ou mais proveitosa e enriquecedora se vivida para além do estritamente académico. As mais variadas iniciativas foram surgindo ao longo dos anos e, em cada uma, e de maneiras diferentes, vi a oportunidade de colaborar com projetos com os quais me identificava e que podiam fazer a diferença.
Que conselho deixaria a um estudante que quer tirar o máximo partido da experiência universitária?
Que não se contente com pouco. Que vá a fundo na parte académica, mas que também invista naquilo que pode dar ao mundo. Há uma virtude excecional e tantas vezes esquecida: a magnanimidade. A magnanimidade é a virtude que nos faz desejar coisas grandes. Vai mais além do que já sabes. Vai além do que está previsto. Fala com quem não conheces. E, sobretudo, que sejas autêntico.
