Projeto de investigação que permite conservar esculturas públicas em destaque na “Scientific American”

A Escola Superior de Biotecnologia e a Escola das Artes da Católica no Porto estão a desenvolver nanofilmes com uma base de quitosano – componente natural extraída dos esqueletos dos crustáceos –, substância capaz de criar nanocamadas protetoras e que demostram possuir efeitos antimicrobianos para aplicação em esculturas públicas, localizadas no exterior. A investigação faz parte do projeto BIONANOSCULP (Desenvolvimento de BIONANOmateriais para revestimento anti-microbiano de eSCULturas exteriores metálicas e de Pedra) que tem como objetivo encontrar uma solução eficaz que ajude a evitar a degradação causada pela contaminação biológica neste tipo de obras de arte.

No âmbito da investigação, a equipa analisou sete esculturas, localizadas na cidade do Porto e Santo Tirso: “Rosalia de Castro” (de Salvador Barata Feyo), “Sol, Lua e Vento” (de Satoru Sato), “Afonso de Albuquerque” (de Diogo Macedo), “Movimento” (de Augusto Jorge), “Repouso” (de Gustavo Bastos), “O guardador do Sol” (de José Rodrigues) e “Eu espero” (de Fernanda Fragateiro).

Patricia Raquel Moreira, investigadora do CITAR/CBQF, explica que “um dos critérios para a escolha destas obras centrou-se nos materiais específicos das esculturas (diferentes tipos de pedra e metal), bem como o reconhecimento visual, a olho nu, da presença de contaminação microbiana e de diferentes estados geral de conservação”. Apesar da abordagem estar, ainda, em fase experimental, os autores identificaram vantagens claras na sua utilização, nomeadamente no que diz respeito ao nível de toxicidade, aspeto fundamental do ponto de vista dos utilizadores finais do produto, os conservadores-restauradores ou arqueólogos. Refira-se que o próximo objetivo da equipa de investigação passa por testar o produto nessas mesmas esculturas estudadas ainda este ano.

No final de 2018, o projeto BIONANOSCULP captou a atenção da revista “Scientific American”, publicação científica conceituada e de elevada tradição junto da comunidade científica. No artigo publicado, e em que o projeto português é citado, destaca-se o papel da Católica no Porto, no âmbito da conservação e restauro de forma geral e na área da arte pública, comparando-o com a realidade praticada por outros grupos de investigação na Europa, nomeadamente em Espanha ou Itália. O artigo completo da “Scientific American” pode ser consultado aqui.

Financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, o projeto BIONANOSCULP é coordenado por Patrícia Raquel Moreira, investigadora dos centros de investigação CITAR e CBQF, e conta com a participação de outros investigadores como Eduarda Silva Vieira (CITAR), José Guilherme Abreu (CITAR), Manuela Pintado (CBQF) ou Frederico Henriques (CITAR).

 

Janeiro de 2019